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Saúde Comunitária

 

 

O atendimento médico no Brasil

 

Segundo dados do estudo “Demografia Médica no Brasil 2015”, lançado em novembro do mesmo ano, o Brasil tem um número total de médico por grupo de habitantes semelhante ao de países desenvolvidos. São 432.870 profissionais registrados junto ao Conselho Federal de Medicina, o que assegura a razão nacional de 2,11 médicos para cada grupo de 1.000 pessoas, índice que se aproxima dos dados verificados nos Estados Unidos, Canadá e Japão. A pesquisa foi realizada pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

 

País

Médicos/1.000hab

Estados Unidos

2,5

Canadá

2,4

Japão

2,2

Brasil

 

2,1

 

Chile

1,6

China

1,5

Índia

0,7

 

 

 

Fonte: http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index10/?numero=12

 

O estudo revela também a desigualdade na alocação dos médicos dentro do território nacional. Analisando os dados por região, é possível concluir que Sudeste do país tem 2,75 médicos/1.000 habitantes (acima da média) enquanto o Norte tem 1,09 médicos por grupo (abaixo da média). Na análise das unidades da federação, o Distrito Federal apresenta o maior número de médicos por habitantes: 4,28; seguido do Rio de Janeiro (3,75), São Paulo (2,7) e Espírito Santo (2,7). Na ponta oposta estão Maranhão (0,79), Pará (0,91), Amapá (1,01) e Acre (1,13) com os menores índices.

 

Na avaliação mais evidente, os dados acima indicam que há um grande número de médicos no território nacional, mas eles não estão acessíveis a toda a população. O que os dados da pesquisa não revelam, no entanto, é a real dificuldade que milhões de pessoas enfrentam para conseguir atendimento médico diariamente.

 

Na zona rural de Ipixuna do Pará, município localizado no nordeste do estado, a distância é o principal desafio – situação que se repete em muitas outras localidades da Amazônia. Para as 24 famílias que vivem nas comunidades Santa Maria e Fortaleza, localizadas às margens do Rio Capim, o médico mais próximo fica a três horas de viagem de barco, no posto de saúde da comunidade Canaã. Depois de superada a dificuldade de deslocamento, é preciso ainda enfrentar a restrição no número de atendimentos diários: o total de senhas entregues a cada dia não atende a demanda dos moradores locais e não raramente a viagem até a unidade de saúde pode ser infrutífera.

 

Essa dificuldade de acesso ao médico traz complicações à saúde que não podem ser mensuradas. Os especialistas são veementes em afirmar que, se descobertas no início, diversas doenças têm melhores resultados no tratamento e maior índice de cura. Além disso, o acompanhamento médico regular pode atuar de forma efetiva nas doenças mais comuns, como diabetes e hipertensão, reduzindo os riscos de complicações mais graves. Também é importante lembrar que visitas regulares ao médico colaboram para a melhoria na qualidade de vida das famílias.

 

Atendimento em saúde de um jeito diferenciado no interior da Amazônia

 

Santa Maria e Fortaleza estão na área de influência das minas de caulim Imerys – cujo minério é utilizado principalmente na indústria de papel – e são comunidades inseridas nas ações de responsabilidade da empresa. Uma dessas iniciativas vem colocando em prática um modelo diferenciado de atendimento médico para as 24 famílias residentes na região: o programa Saúde Comunitária, que consiste em ações regulares de atendimento médico e orientações sobre princípios básicos de saúde que têm grandes impactos para a qualidade de vida de crianças e adultos.

 

O Saúde Comunitária foi formalizado como iniciativa social da Imerys em março de 2015 para agrupar as atividades de bem-estar e atendimento em saúde já realizadas pela empresa na região. Mas a mineradora já está presente nas comunidades há alguns anos realizando palestras, oficina de dança, campanha de vacinação e atendimento odontológico, entre outras ações conduzidas por equipes e especialistas contratados.

 

Uma parte importante das atividades do Saúde Comunitária é executada por uma equipe multidisciplinar composta de um médico, um enfermeiro e um técnico de enfermagem. Esses profissionais fazem visitas mensais às famílias de Santa Maria e Fortaleza e têm uma rotina de práticas médicas com os pacientes. Com essa dinâmica, o trio acompanha o crescimento e peso das crianças, monitora a pressão arterial dos comunitários, dá orientações às grávidas, acompanha os índices de diabetes e presta atendimentos básicos de saúde, além de fornecer medicamentos quando adequado e sugerir a busca de um especialista se necessário. “Antes a gente ia no Canaã e era difícil colher a ficha para ser atendido. A gente só ia quando estava doente. Agora todo mês a gente vê o médico e dá pra descobrir antes se tem alguma doença”, conta Santino Dias de Cristo, morador da comunidade Fortaleza.

 

O modelo de trabalho do programa é altamente eficaz, pois resgata a essência do atendimento básico em saúde e utiliza a figura do “médico de família”, ou seja, daquele profissional que conhece o histórico do paciente e o contexto socioeconômico no qual ele vive. Com o Saúde Comunitária, a equipe médica passa a vivenciar o cotidiano das comunidades e a conhecer os costumes dos moradores. A partir desse entendimento de contexto, os profissionais podem avaliar como os hábitos dos comunitários impactam na saúde deles e, mais importante, podem interferir positivamente no sentido de realizar mudanças que também serão importantes para a qualidade de vida das pessoas. Com essa dinâmica de trabalho, o programa substitui o atendimento pontual e os médicos passam a avaliar os pacientes de maneira global, relacionando ambiente e saúde. Na prática, significa mudar atitudes que direta ou indiretamente colaboram para o surgimento de doenças.

 

Para combater os altos índices de baixo peso e subnutrição verificados, por exemplo, os profissionais do Saúde Comunitária estão incentivando mudanças na alimentação dos moradores. O grupo médico percebeu que a dieta dos comunitários tem como base dois produtos da região: a farinha e o peixe. Essa restrição alimentar é ocasionada, principalmente, pela falta de possibilidade econômica dos moradores e pela condição geográfica na qual se encontram, distante do centro do município. Essa carência de nutrientes tem impacto na saúde de todos, mas principalmente das crianças. Médicos, Imerys e as comunidades então se uniram para implantar hortas coletivas que vão possibilitar o acesso facilitado e o consumo de legumes e verduras pela população, o que vai enriquecer a alimentação e, por consequência, reforçar a saúde dos moradores.

 

Informação que ajuda a gerar mudanças

 

A equipe médica também vem trabalhando para melhorar os hábitos de higiene e saneamento dos moradores como forma de transformar a saúde na região. A falta de asseio está diretamente associada a problemas de saúde de alta incidência entre os comunitários: problemas odontológicos, verminose e pitiríase (popularmente conhecida como pano branco), entre outros.

 

As atividades do Saúde Comunitária também estão fundamentas em ações educativas. Por meio de palestras, o programa vem ampliando o conhecimento dos comunitários, o que ajuda a comunidade a adotar novos hábitos, alerta para a importância da prevenção de doenças e deixa os moradores motivados para pequenas mudanças que têm grande impacto.

 

Ao longo dos meses, o programa já falou sobre doenças como diabetes, hipertensão e câncer. A comunidade também está aprendendo sobre alimentação por meio das atividades educativas que ajudam a valorizar os frutos da região e seu valor nutricional – dessa forma, crianças e adultos aprendem como variar a dieta nutricional aproveitando produtos nativos da região.

 

As ações educativas complementam o trabalho de visita realizado pelos médicos e desperta os moradores para cuidados com a saúde. “Tem muita gente que não sabe o que é certo e pode aprender com as palestras”, conta Santino Dias de Cristo. Com 55 anos, todos vividos na comunidade Fortaleza, ele lembra que nunca houve uma iniciativa como esta na região e garante que os moradores estão aderindo às mudanças propostas pelo programa.

 

Barco hospital: saúde que chega pelo rio

 

Em agosto de 2015, a população ribeirinha de Ipixuna do Pará recebeu uma grande ação de saúde viabilizada pelo programa Saúde Comunitária da Imerys. A mineradora fechou uma parceria com a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), entidade mantenedora há mais de 50 anos do programa social "Luz na Amazônia", e levou para a região pela primeira vez um barco hospital.

 

A  embarcação é adaptada com equipamentos médicos e permite acessar áreas isoladas para levar serviços de saúde. O hospital aportou nas comunidades Canaã e Fortaleza levando uma equipe de 34 voluntários da SBB, incluindo médicos, dentistas, enfermeiros, bioquímicos, serviços gerais, equipe de limpeza e cozinheiras. Ao longo de três dias, o Luz da Amazônia atendeu mais de 400 pessoas da região e fez mais de 1.000 procedimentos de saúde.

 

Ações do barco hospital Luz da Amazônia

190

Atendimentos de enfermagem

102

Atendimentos odontológicos

132

Consultas médicas

278

Chamadas de farmácia

1.041

Total de procedimentos de saúde

 

 

A ação do barco hospital em Ipixuna conquistou o Desafio do Desenvolvimento Sustentável 2015, premiação global da Imerys em reconhecimento às melhores práticas de sustentabilidade. Foram inscritos 98 projetos de plantas da empresa em todo o mundo e nove foram premiados. A inciativa é inédita na Capim e a premiação representa um reconhecimento ao esforço da equipe envolvida e aos resultados alcançados junto à população.

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